This poster,
presenting selected preliminary findings of an ongoing Cichla population
genetics study,
was presented at the Brazilian
Ichthyology Society meeting, January, 2005
Diferentes padrões genético-populacionais
em duas espécies de tucunarés (Cichla:Perciformes)
de tributários do rio Negro.
Different Population Genetics Patterns in two Species of Peacock Bass
(Cichla:Perciformes) of Tributaries of the Rio Negro
 |
Vasconcelos, W. R. (1); Nunes, M. S (1); Reiss,
P. (2); Farias, I. P. (1).
(1)Laboratório de Evolução e Genética Animal
- L.E.G.AL - UFAM.
(2) Acute Angling
rangel@inpa.gov.br
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Os rios Unini e Xeriuini são afluentes do rio Negro, maior tributário
do rio Amazonas, e abrigam grande diversidade de vertebrados aquáticos.
Para testar se o rio Negro funciona como barreira para o fluxo gênico
entre populações de peixes sedentários, quatro populações
de tucunaré das espécies Cichla temensis e Cichla
orinocensis, foram amostradas ao longo dos dois afluentes acima citados.
Nós usamos AMOVA e F statistics para testar a hipótese
de fragmentação populacional, com o objetivo de identificar
os padrões de distribuição da variação
genética intra-específica. Estas informações
podem fornecer dados sobre a dinâmica evolutiva destas duas espécies
economicamente importantes e geneticamente pouco estudadas em nível
populacional. |
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Amostras de tecidos foram coletadas nos locais indicados no mapa (Fig.1)
e preservadas em etanol 95%. O DNA foi extraído seguindo o protocolo
de extração por fenol-clorofórmio de Sambrook et al.
(1989). A região do gene da ATPase foi amplificada via PCR, com
o uso de primers específicos desenvolvidos e publicados por Sivasundar
et al., (2001).
As reações de sequenciamento foram feitas de
acordo com as recomendações dos fabricantes utilizando o
Terminator Cycle Sequencing Kit (Amersham Bioscience), e analisadas em
seqüenciador automático MegaBACE 1000. |
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Análises intra e inter-populacionais
|
A estrutura genética das populações foi analisada
utilizando-se AMOVA (Análise de Variância Molecular) (Excoffier
et al., 1992), e pairwise FsT (Cockerham & Weir, 1993), implementados
no programa Arlequin 2.0 (Schneider et al., 2000). Índices de diversidade
genética e testes de neutralidade seletiva de mutações
foram acessados utilizando-se o programa Arlequin 2.0.
As haplotype network foram construídas no programa
TCS versão 1.18 (Clement et al., 2000). |
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Fig. 2a- Exemplar de C. orinocensis do
rio Unini
|
Fig. 2b- Exemplar de C. temensis do rio
Unini
|
Baseados nas análises de 605 pares de base e 46 cópias
gênicas, encontramos 11 haplótipos em C. temensis,
sendo 1 mais freqüente e 9 únicos. Enquanto que nas duas populações
de C. orinocensis, analisamos 25 cópias gênicas, encontramos
10 haplótipos, 3 foram mais freqüentes em relação
aos demais. Valores de diversidade genética em geral foram mais
elevados nas populações de C. orinocensis do que em
C.
temensis (Tab. 1). A expectativa neutra das mutações
foi testada através do índice de neutralidade seletiva Fs
de Fu e indicou desequilíbrio genético na população
de C. orinocensis e de C. temensis do rio Unini (Tab. 1).
Enquanto D de Tajima indicou um provável crescimento populacional
apenas em C. temensis. Valores significativos (P<0,05) do parâmetro
Fst foram observados entre as populações de C. orinocensis,
mesmo após a correção de Bonferroni (Rice 1989).
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| Fig. 3a -Haplotype network evidenciando as relações
genealógicas entre os dez haplótipos detectados e identificados
em C. orinocensis. A cor preta indica haplótipos encontrados
no rio Unini e amarela indica os do rio Xeriuini. |
Fig. 3b -Haplotype network evidenciando as relações
genealógicas entre os dez haplótipos detectados em C.
temensis. A cor preta indica haplótipos encontrados no rio Unini
e amarela indicaos os do rio Xeriuini. |
Tab. 1-Principais medidas de polimorfismo genético intra-específicos
e testes de neutralidade seletiva. P< 0.05. Nota: RU=Rio
Unini e RX=Rio Xeriuini
|
População
|
No. de
amostras
|
No. de Sítios
Polimórficos
|
Diversidade
Gênica
|
Diversidade Nucleotídica
|
D de Tajima
|
Fs de Fu
|
| RU-C. orinocensis |
11
|
10
|
0.9333 +/- 0.0773
|
0.005657 +/- 0.003569
|
-0.14123
|
-3.11607 *
|
| RX-C. orinocensis |
14
|
10
|
0.8901 +/- 0.0603
|
0.005657 +/- 0.003569
|
-0.68577
|
-2.09245
|
| RU-C. temensis |
32
|
4
|
0.3377 +/- 0.1278
|
0.000601 +/- 0.000672
|
-1.87763 *
|
-3.81699 *
|
| RX-C. temensis |
14
|
3
|
0.2949 +/- 0.1558
|
0.000763 +/- 0.000802
|
-1.65231 *
|
-0.68877
|
| Tabela 2a -Valores de Pairwise Fst abaixo da diagonal e Número
efetivo de migrantes (Nm) acima da diagonal de C. orinocensis.
Nota: RU=Rio Unini e RX=Rio Xeriuini.
|
População
|
RU-C. orinocensis
|
RX-C. orinocensis
|
| RU- C. orinocensis |
|
0.84186
|
| RX-C. orinocensis |
0.23878 *
|
|
|
Tabela 2b -Valores de Pairwise Fst abaixo da diagonal e Número
efetivo de migrantes (Nm) acima da diagonal de C. temensis.
Nota: RU=Rio Unini e RX=Rio Xeriuini.
|
População
|
RU- C. temensis
|
RX- C. temensis
|
| RU- C. temensis |
|
|
| RX- C. temensis |
0
|
|
|
Nas duas populações de C. temensis não
foi observado nenhum indício de diferença genética,
que apresentaram fluxo gênico elevado ( )
(Tab. 3b).
Os resultados de AMOVA também identificaram este padrão.
Nas populações de C. orinocensis, 37,26% da variação
genética ocorre entre as duas populações (Fst=0,372;
P=0). Enquanto que em C. temensis, a variação entre
as duas populações foi de -0,97% (Fst=-0,0096; P=0.7575).
Fst e AMOVA indicam fragmentação populacional em C. orinocensis.
Estes resultados mostram que uma distância de ~100 Km entre
tributários do rio Negro (como entre os rios Unini e Xeriuini),
pode funcionar como barreira para dispersão para alguns peixes como
visto em C. orinocensis, mas não para outros como em C.
temensis. Espécies de tucunarés, por exemplo, podem apresentar
diferentes padrões de migração, refletindo em diferentes
estratégias de vida. |
|
Referências Bibliográficas
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Clement, M.; Posada, D. and Crandall, K. A. (2000)
TCS: a computer program to estimate gene 6 genealogies. Mol. Ecol., 9,
1657-1659.
Cockerham, C. C. and Weir B. S. (1993) Estimation
of gene flow from F-statistics. Evolution, 47, 855-863.
Excoffier, L.; Smouse, P. E. and Quattro, J. M. (1992)
Analysis of molecular variance inferred from metric distances among DNA
haplotypes: Application to human mitochondrial DNA restriction data. Genetics,
131, 479-491.
Rice. 1989. Analysing table of statistical tests.
Evolution 43: 223-225
Sambrook, J.; Fritsch, E. F. and Maniatis, T. (1989)
Molecular cloning: a laboratory manual, second edition Vol. 2. Cold Springs
Harbor Laboratory Press, Cold Springs Harbor, NY.
Schneider, S.; Roessli, D. and Excoffier, L. (2000).
Arlequin ver. 2000: A software for population genetic data analysis. Genetics
and Biometry Laboratory, University of Geneva. Geneva, Switzerland.
Sivasundar, A.; Bermigham, E. and Orti, G. 2001.
Population structure and biogeography of migratory freshwater fishes (Prochilodus:
Characiformes) in major South American rivers. Mol. Ecol. 10 (2): 407-417.
Xia, X. and Xie. Z. 2001 DAMBE: Data analysis in molecular
biology and evolution. Journal of Heredity 92:371-373. |
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